A obesidade é uma condição de saúde crônica, multifatorial e complexa, caracterizada pelo excesso de gordura corporal e associada a diversas doenças, como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer. Mais do que apenas uma questão estética, trata-se de uma condição que impacta a saúde física, mental e a qualidade de vida.
Por que é difícil perder peso?
O organismo humano possui mecanismos de defesa para evitar a perda de peso. Quando alguém emagrece, o corpo tende a reduzir o gasto energético e aumentar a fome, dificultando a manutenção do emagrecimento. Por isso, em muitos casos, apenas mudanças no estilo de vida — como dieta equilibrada e prática regular de exercícios — não são suficientes para garantir resultados sustentáveis.
Tratamento: um olhar ampliado
O tratamento da obesidade deve ser individualizado e pode envolver:
- Mudança de hábitos de vida (alimentação saudável, sono adequado e atividade física).
- Acompanhamento multiprofissional, incluindo médico endocrinologista, nutricionista, psicólogo e educador físico.
- Uso de medicações em situações específicas, quando indicado pelo médico.
- Cirurgia bariátrica, em casos selecionados.
Novas medicações disponíveis
Nos últimos anos, o arsenal terapêutico contra a obesidade evoluiu significativamente. Hoje, contamos com medicamentos mais eficazes e seguros, que atuam diretamente em mecanismos do apetite e da saciedade:
🔹 Liraglutida
- Classe: Agonista de GLP-1.
- Aplicação: Injeção subcutânea diária.
- Dose: Inicia em 0,6 mg/dia e aumenta progressivamente até 3,0 mg/dia.
- Efeitos esperados: Redução de 5 a 10% do peso em 6–12 meses.
- Cuidados: Náuseas e desconforto intestinal no início; não indicada para pacientes com histórico de câncer medular de tireoide ou pancreatite.
🔹 Semaglutida (injeção semanal)
- Classe: Agonista de GLP-1.
- Aplicação: Injeção subcutânea 1x por semana.
- Dose: Inicia em 0,25 mg/semana, ajustando até 2,4 mg/semana.
- Efeitos esperados: Perda de peso em torno de 15% ou mais.
- Cuidados: Sintomas gastrointestinais, principalmente no início; precisa de uso contínuo.
🔹 Semaglutida (comprimido oral)
- Classe: Agonista de GLP-1.
- Aplicação: Comprimido tomado uma vez ao dia, em jejum, com um pouco de água, devendo aguardar pelo menos 30 minutos antes de comer ou beber qualquer coisa.
- Dose: 7 mg a 14 mg por dia, dependendo da indicação e resposta do paciente.
- Efeitos esperados: Estudos mostram perdas relevantes de peso, embora menores do que com a formulação injetável.
- Cuidados: Requer disciplina no modo de tomar para garantir boa absorção. Pode causar os mesmos efeitos gastrointestinais das injeções.
🔹 Tirzepatida
- Classe: Age em dois hormônios intestinais (GLP-1 e GIP).
- Aplicação: Injeção subcutânea semanal.
- Dose: Inicia em 2,5 mg/semana e pode ser aumentada até 15 mg/semana.
- Efeitos esperados: Redução de peso acima de 20% em alguns casos, com resultados superiores aos vistos em outras medicações.
- Cuidados: Efeitos gastrointestinais são os mais comuns. Necessário ajuste gradual de dose.
🔹 Outras opções já conhecidas
- Orlistate: Reduz absorção de gordura, mas pode causar diarreia se a dieta tiver muita gordura.
- Naltrexona/bupropiona: Diminui compulsão alimentar; pode causar insônia e não deve ser usada em hipertensos não controlados.
- Sibutramina: Hoje em desuso na maioria dos casos devido a riscos cardiovasculares.
Conclusão
O arsenal de medicamentos contra a obesidade nunca foi tão promissor. Agora, além das opções injetáveis, há também a possibilidade do uso oral de semaglutida, trazendo mais praticidade para alguns pacientes.
O tratamento deve sempre ser individualizado, acompanhado por endocrinologista, e associado a mudanças no estilo de vida.